13 de maio de 2022 às 18:13

NEGLIGÊNCIA DA INDÚSTRIA DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Relato da realidade que está por trás de algumas instituições que dizem tratar dependência química.

Por Roberto da Mata - Formando em Psicanálise, escritor e colunista.

Eu estive lá, não em uma, ou duas, mas algumas. Vi e vivi a rotina desses lugares, verdadeiros depósitos de pessoas doentes, onde a pessoa é um negócio e a doença uma oportunidade.


Sim, negócio. E está tudo bem uma clínica terapêutica ser um negócio? Sim, tudo bem, é claro, assim como casas que atendem idosos, casas de tratamento paliativo, hospitais, spas.


Porém, há de se ter algo chamado congruência, ética também, ahhh, HUMANISMO.


Vi lugares de criação de aves e gados onde são tratados com mais dignidade que alguns lugares pelos quais passei, feliz ou infelizmente.

Em sua maioria, essas clínicas são de propriedade e geridas por usuários "limpos", isso significa: sem estar na atividade das substâncias e em outras, mistura-se adictos, alcoolistas, pessoas com depressão profunda, todo tipo de transtorno.


A maioria jogada, ociosa, afinal, as famílias não sabem mais como lidar com o familiar doente e acabam por pedir socorro para lugares que mais parecem folhetim de testemunhas de Jeová (com todo respeito aos religiosos).


Faço essa analogia com tais folhetins, pois, ambas, prometem uma espécie de CÉU. Locais arborizados, comida gostosa, terapias em grupo, assistência 24horas por profissionais formados da área mental. 


"Cuido do seu doente e devolvo limpo e curado"- é quase um cartaz de poste de "devolvo seu amor em 7 dias".


Atrativo, não? Muito.


Na primeira fase, os familiares e pacientes são atraídos como abelhas no mais puro mel, o que hoje chamado de "lua de mel"do casamento terapêutico, sem terapeutas, mas calma que vou chegar lá.


Segunda fase, o abandono, lembrando que são algumas e não todas as comunidades terapêuticas nem todas as clínicas de recuperação.


Por que abandono? Literalmente esses pacientes são desassistidos porque não existe enfermaria 24 horas, podendo ocorrer um surto de um paciente com transtorno esquizóide, ou uma fuga, já que não existe vigilância mesmo que essa internação seja "voluntária".


A maioria desses lugares são em sítios, lugares distantes, ruas de terra, o que coloca essas pessoas em estado de vulnerabilidade em risco se caso elas tiverem um ímpeto de fuga.


Como são internos "voluntários", sim, eles possuem o direito de sair, porém, se acontecer algo, quem se responsabiliza? Sendo que não nada baratas as diárias, as mensalidades, os pacotes de desintoxicação.


Ou seja, cara sociedade, se você tem um familiar adicto, alcoolista, que possui algum transtorno psiquiátrico, investigue bem o lugar onde irá interná-lo, pois, não é apenas porque os "donos"são midiáticos que significa que os lugares são seguros.


Terapeutas sem receber, enxotados como cães com seus pertences apropriados, humilhações, agressividade excessiva dos "proprietários" e o mais grave - falta de FORMAÇÃO na área.


Na maioria não existe um psiquiatra, nem enfermeiros 24 horas em vigilância, a higiene dos leitos demonstram o descaso mesmo que a família sue a camisa para colocar seus amados em lugares sérios, limpos e assistidos por pessoas formadas de verdade.


Estagiários sim, são bem vindos, porém, os próprios donos, se dizem "holisticos", "Consteladores", "auxiliares de enfermagem". psicanalistas que vestem jaleco, sendo que psicanalista não deve trajar jaleco,  o que denota amadorismo e má fé.


Sempre tem um esquema, tal como: psiquiatra que vai uma vez por semana, psicólogo que não atende, mas assina laudos, amigos que atuam como terapeutas e pasmem, vestem jalecos.


Em sua grande maioria, o time é composto por adictos em recuperação, alguns se dizem "limpos"há décadas, mas o que acontece por de trás do véu, é que medicamentos são usados sem receita, ou seja, farmacodependentes, outros bebem, outros se denominam terapeutas e por trás, pessoas de boa fé como investidores anjos.


Se alguém do time recair, existem duas vias - são elas:

Se a pessoa é midiática e tem dinheiro, é acolhida e finge-se que não se vê. 

Se for pobre - abandonado, ignorado e nada de mais chances.

Sabendo que um adicto é uma pessoa doente, mas com capacidades, com alma, com coração, com afetos. Todavia, nada disso vale se não há influência na mídia ou dinheiro.


Sinto muito por quem se encontra em alguma situação acima, lembrando que também passei e conheci lugares legais.


E.. um dia de cada vez.

Fonte: CLIENT

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