15 de janeiro de 2022 às 14:41

PF e o combate ao tráfico internacional de drogas em aviões da FAB

Por Renan Rugolo Ré, redator SEO do Grupo Braços Abertos
Saiba as operações da PF onde há combate ao esquema de lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas nos aviões da FAB.

Crédito:Pixabay Banco de Imagem


Se existe tráfico de drogas é porque existe demanda, contudo como um mercado tão lucrativo pode-se expandir globalmente? Com a matéria do Grupo Braços Abertos você fica por dentro de toda a rota do tráfico e as apreensões da polícia federal que estamparam as principais manchetes do país e no mundo.


É importante fazer uma definição de tráfico de drogas, crime organizado, lavagem de dinheiro e a rota do tráfico para podermos nos orientar e entender como funciona todo o esquema que envolve desde os peixes grandes até os laranjas desse mercado multi bilionário.


Tráfico de drogas são crimes previsto em lei 11.343/2006 que define tráfico ilícito de drogas no artigo 33 onde importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas ainda que gratuitamente; configura como tráfico.


O crime organizado é uma organização considerada criminosa, onde um conjunto de pessoas ou grupos, transnacionais ou nacionais altamente centralizados e geridos por pessoas criminosas, tem o intuito de se envolver em atividades ilegais como forma de obter altos lucros monetários.


A lavagem do dinheiro é caracterizada por uma expressão que se refere às práticas realizadas por criminosos ou pessoas que cometem crimes com cunho financeiro de dissimular ou esconder a ordem ilícita de recursos financeiros, ativos ou bens.


Já as rotas do tráfico de drogas, são os caminhos que as drogas seguem de um determinado lugar para outro, podendo-se ser transportada via transporte terrestre, aéreo, ferroviário e marítimo. São estudados minuciosamente pelas organizações criminosas justamente porque oferecem menos riscos e maior lucratividade. 


Aviões da FAB e esquema de lavagem de dinheiro do tráfico


Vianey Bentes, em matéria para CNN Brasil, apontou que a polícia federal cumpriu em 15 de dezembro de 2021, cinco mandados de busca e apreensão em Brasília e em Florianópolis na apuração praticada pelo líder de uma organização criminosa que distribuía drogas na Europa utilizando os aviões da FAB (Força Aérea Brasileira).


A Justiça Federal determinou o sequestro e o bloqueio de imóveis, academia de ginástica, 2 milhões de reais em empréstimos realizados pelo alvo da operação, carros de luxo e 1,6 milhão que estavam vinculados às empresas do investigado.


Ao longo de toda a investigação, os resultados sugerem que a obtenção de bens e movimentação dos recursos eram realizados em espécie e o investigado usava nome de laranjas.


Conjuntamente, havia empresas fantasmas "de fachada" que disfarçavam a propriedade de imóveis e a circulação de grandes quantias de dinheiro. Todos os envolvidos vão responder por crimes como lavagem de dinheiro e associação criminosa.


Um pouco antes, em primeiro de dezembro de 2021 as provas dos crimes foram colhidas ligadas aos investigados por tráfico internacional de drogas no Aeroporto de Viracopos. Foi o 5° desdobramento da operação Overlord na ação denominada Lavaggio III; onde 35 pessoas foram detidas e outras 5 estão foragidas.


O cabeça é Osmar Martins de Araújo, seus familiares e amigos que moram nas cidades de Campinas, Hortolândia, Indaiatuba, Vinhedo, Tarumã e São Paulo. Osmar é o investigado apontado como o principal responsável na articulação de todos os traficantes envolvidos e integrantes do núcleo interno do aeroporto para "passar a droga nos equipamentos" sem que a polícia fosse acionada e com destino direto para a Europa. (Fonte: G1)


Osmar é tão inteligente que não é apenas traficante próprio, ele reunia um conjunto de outros envolvidos no crime organizado e articulava sobre a logística do processo. Era um excelente negociador de imóveis em Goiás, onde comprava imóveis e apartamentos para lavar o dinheiro da "exportação" de narcóticos, diz superintendente da investigação.


Além do mais, tinha empresas de fachada e outros negócios como padarias, mas o que chamou a atenção da polícia foi a movimentação bancária incompatível com sua renda. Existem outras operações que estão interligadas como a AKE, Lavaggio I, Airline e Lavaggio II, todas sob investigação dos serviços de inteligência da polícia brasileira.


Por que o crime organizado rende tanto dinheiro?


Uma matéria publicada no portal UOL, relata que a ONU fez um estudo onde o movimento de recursos proveniente de práticas ilegais movimenta em torno de US $2 trilhões. Mas isso é uma estimativa de natureza ilegal que se está analisando.


Esse valor é tão grande que equivale a 3,6% do que é consumido mundialmente e quatro vezes maior que o PIB da Argentina e dez vezes o PIB da Colômbia. O Fórum Econômico Mundial estima que as práticas que mais rendem essas fortunas são: Narcotráfico (US$320 bilhões), Falsificação (US$250 bilhões), Tráfico Humano (US$31,6 bilhões), Tráfico ilegal de Petróleo (US$10,8 bilhões) e Tráfico de Vida Selvagem (US$10 bilhões).


Outras práticas como tráfico internacional de órgãos, atividades econômicas ilegais e venda de obras de arte no mercado clandestino, os valores chegam aos surpreendentes seiscentos e cinquenta bilhões de dólares.


Serviços de inteligência são extremamente importantes para capturar os peixes grandes.


A lucratividade do tráfico é algo exponencial e traz recursos praticamente ilimitados para os cabeças ou peixes grandes. Contudo, para que as pessoas que movimentam esse mercado ilegal sejam capturadas e detidas é imprescindível que a ciência forense no combate ao crime organizado.


O Grupo Braços Abertos produziu uma matéria no portal da Band FM onde demonstra a necessidade dos serviços de inteligência, tecnologia e ciência forense na obtenção de dados para conduzir processos investigativos. A resolução de crimes só acontece porque há observação enfática e pesquisa por parte da polícia científica.


Fonte: CNN Brasil; G1

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